terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Louvor ao Derrotado

Ah, como é bom
Duvido de Jesus como a um amigo
Questiono Deus como de fato a um pai
Ah, liberdade
O rejeito como a um amor desejado
E me afasto sem medo da saudade
Olha esse amor!
Não tenho receio nem mesmo em odiá-lo!
Mas, aos escravos da suspeita razão
Aos pretensiosos à verdade
Que pena há entre esses
Que amedrontados não conhecem
A alegria que é não precisar ser
Pois livre de toda necessidade nos fez
O desconhecido e presente
Som que toca a todos
Principalmente aos ditos surdos
Pois o amor emanado na equivoca criação
Não julga nem pede nada
Ou apenas que a vontade não seja um rito
A certeza não exista
E o ser se desprenda
Como o fez aquele
Que decidiu perder tudo
Para que ninguém precisasse vencer.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Queria

Queria ter fé
Queria acreditar
Queria sentir
Ou até mesmo querer ouvir
Mas não
Não resta nada
A não ser o nada que resta
Pois queria ter
E ter não mais tenho que
Pois não sinto o que sentia
E por fim
Findo é
O que
Talvez
Nunca foi
E se foi
Talvez
Não é mais
Mas eu queria
Queria ter fé
Queria sentir
E assim por diante

domingo, 29 de dezembro de 2013

Gramado

Sentir falta de quando julgava saber,
Parece natural.
Sensação de sentido
Mesmo que falsa, então.
Nostalgia de mentiras aconchegantes
Quando ser não parece, mais,
Uma piada sem graça.
Um acidente horrendo
Desagradável até ao seu promotor, o Criador.
Pois, quando até mesmo o aparentemente belo
Não gera gosto,
Ímpeto ou contentamento,
E não há animo e, então,
Nem o Som, mesmo pensado bom,
Não parece mais, tanto quão,
Quando da adormecida bendita
De quando o ser até, as vezes,
Satisfazia.

Seguro nas raízes sensíveis
De um gramado
Em um jardim mal cultivado
Mas que eventualmente chove
Não deixando morrer
Os resquícios de algo que, outrora,
Gerou vida e não o deixa de fazer.
Marca bem vinda
Cicatriz de herança viva
Mantendo o ser
Mesmo que sufocado
Ainda ali,
Com coragem.