sábado, 20 de abril de 2013

Palavra Certa

Vento Suave
Que não chega jamais
Cansei de pedras
Em minha cabeça
Que mal sente
Agora e sem mais depois
Os ventos de ar
Do pulmão poluído
Das fumaças
Saídas de sua boca
Quero canção quieta
Palavras certas
Que sem medo
Sem vontade
Livre, ardente e certa
Aquieta e fortalece
Me dê
Por fim
Aquela paz
Que sem mentiras
Esperança me fazia
Conseguir escrever

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Fim de voz

Cante raiz, eu sou árvore
Sua voz não ouço mais
Caiam folhas de meus ramos
Minha voz não quer ouvir
Até em arvores secas
Os pássaros voam, pois
Grandes são os jardins
E o sol da esperança
Novas cores dão às folhas
Que nasceram e que ficaram
E é assim que se vive
Até sem jazz e blues

segunda-feira, 4 de março de 2013

A barata

Fui ao banheiro e pisei em uma barata. Crente de que a tinha matado, lavei minhas mãos e comportei-me em meus aposentos. Depois estava tomando uma cerveja com um amigo, conversando sobre desventuras da vida e ouvindo belos sambas. Como qualquer bom bebedor que se preze, o banheiro é seu lar, pois toda hora de si quer sair o que bebeu. Foi quando avistei a barata a ainda se mover, cheia de vida, querendo ir embora. Lembrei-me de mim e de minha vida, de Kafka e de suas viagens, de meus desânimos e minhas esperanças. Sou barata movendo articulações. Meu sangue é amarelo e gosmento. Minha vida é insignificante e fugaz. Mas quando voltarem ao lavador, lá estarei movendo minhas pernas.