quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Palavras Tolas

Melhor esquecer o que faz sofrer?
É possível começar de novo?
Culpa, toda culpa pertence a quem fala
Todas as palavras são tolas
Tudo que digo é tolo
Nem mesmo Deus eu sei se escuta mais minhas lamurias
Envergonha-se da criação, de minhas palavras

O sol se apaga ao me ouvir
A lua perde seu brilho
Os olhos verdes da natureza se fecham diante das inutilidades de meu pensando
Tudo que digo está errado
É possível começar de novo?
A felicidade nunca me fez sentido
Agora tão pouco a alegria
E todo riso me parece uma blasfêmia
Viver é cada vez mais insuportável
Porque amar é uma doença mortal
Nos faz errar em tudo
Mesmo quando acertar é tudo que queremos
Esforçar-se! Diga!
Mas toda palavra é tola
Tudo que digo se estraga
Porque sinto tudo estragado, errado
Os pássaros podem voar todo o céu
Mas voam junto aos seus
Vez para o sul
Vez para o norte
Também assim, as palavras do tolo não tem lugar
Ninguém as aceita
Pelo menos os pássaros são belos

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Logos

Quem pode nomear as amarguras das ideias?
Acaso o verbo já as deu sentido?
Como amar o que diz quem sou antes mesmo que seja?
Preferia eu ser livre!

Mas por ser livre faço uso de minhas entranhas
Não às venha ferir com julgamentos de pureza!
Se o Verbo nos impões seus sentidos
Dou a ele os adjetivos que merece

Todo perdão é necessário
Para quem não se contém na sinceridade
O que é dito ao silencio não tem valor
Poucas palavras servem para expressar certas dores

Acuse o fiel!
Mas não por tentar calar o Verbo
Sou culpado por ainda querer que me diga alguma coisa
Devo pagar o preço da solidão?

Palavras! Julgue-me verbo criador!
Por desejar que faça algum sentido pra mim
Odeio-te se me condenas
Mas amo-te por ser livre comigo

domingo, 12 de agosto de 2012

Agon

            Gritos! Não se ouvem, mas ensurdecedores são aos ouvidos de quem grita. Cacos! Tudo que fica pelo caminho, e fura os pés de todos que pelo caminho. O peregrino não tem somente um livro para o guiar, mas por sua vez, tentava sempre ser fiel às suas sensações.
A princípio é natural ao ser buscar certezas e se convencer de suas verdades. E alguns assim permanecem todos seus dias, como gelo seco na caixa de isopor do vendedor de picolé numa bela praia em escaldante dia de verão.
Assim também é o peregrino. Mas não sabe ele que seus caminhos deixam buracos, e suas sinceridades, feridas. O que acaba por descobrir, aprofundando assim, em seu percurso, por adoecer mais e sentir pior e fortes dores em suas erupções.
Sensação perpétua, a de estar colhendo seus cacos. Tudo que fora, e que já vislumbra mais uma vez mudar, deixava em seus caminhos pedaços confusos de si mesmo. É como se viver fosse uma arte constante de tentar resolver algo pendente. Os cacos não findam, suas questões ressurgem, e como fugir não era uma opção, o que fazer dos cacos? Certamente a resposta é ferir-se!
Amedronta-te até mesmo o cão selvagem diante da incerteza do dia por vir, pois os homens o destituíram de seus alimentos ao queimar a mata, seu habitar natural. Porém, pior que isso, é privar o animal de sua liberdade de caçar. Também o homem, afinco ao dispor de sentidos, aborta-te a mente a necessidade da verdade conhecer, essa que não combina com o belo, com o sublime tão pouco.
Liberta-te escravo da razão, e perceba! Grite ao catar seus cacos! Não faz sentido tentar encaixar paralelepípedos no chão. O belo e o sublime estão dispostos em tudo que se pode conhecer, desde que a nobreza do espírito, de forma vivaz, não somente contemple a beleza, mas tenha seu coração transbordado de inconformismo. Arranque de teu coração a necessidade de ser, para que não seja se não para o outro, eis um projeto nobre de vida. Agoniza-te! Projeto infeliz e inalcançável! Porém, somente os fracos desistem antes da morte!
Para caminhar é necessário estar disposto à solidão, porém, nunca se deve a esta se conformar. Considere-se a isso, portanto, o fato de que a companhia do peregrino são as pessoas que encontra pelos caminhos, certo de que, mesmo assim, sozinho nunca estará, tendo em vista que toda culpa se expia nesse mundo.